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Edição de 16-05-2013
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Secção: Região

Câmara de Gouveia tem projeto para um aproveitamento hoteleiro, mas não consegue encontrar investidores
Paço de Melo sem solução à vista
Por: Fábio Gomes
Tempo de leitura: 3 m
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O Paço de Melo encerra mais de seis séculos de história
O Paço de Melo encerra mais de seis séculos de história
Na freguesia de Melo (Gouveia), aldeia natal de Vergílio Ferreira, existe uma construção imponente, de grande interesse histórico e arquitetónico, conhecida como Paço de Melo, que há largos anos está votada ao abandono e a caminho de uma morte lenta. Trata-se um edifício que remonta ao século XIII, quando foi mandado construir por Mem Soares de Melo, tendo servido como residência do Bispo da Guarda, D. José Mendonça Arrais, durante as Invasões Francesas.

O Paço de Melo manteve-se em mãos privadas até há cerca de 10 anos, quando a Câmara de Gouveia decidiu adquirir o edifício. Mas daí para cá, nada mudou, e esta parte importante do património edificado da freguesia continua a degradar-se. O presidente da Junta de Melo revela que «há alguns anos, falou-se na possibilidade de criar ali um pólo da Universidade da Beira Interior ligado ao estudo da obra de Vergílio Ferreira, e nesse âmbito até recebemos a visita do então ministro da cultura, Pedro Roseta». No entanto, «tudo acabou por ficar em águas de bacalhau», sendo que atualmente «o edifício está devoluto, e sem perspetivas para que a situação se altere». Sérgio Ferreira afirma que «é mau para a freguesia ter aquele que é, porventura, o seu principal monumento em ruínas», e enaltece «a importância de se preservar o património», mas reconhece as dificuldades em reabilitar o edifício. «A Junta de Freguesia, só por si, é impotente para fazer seja o que for, e a Câmara, que é a proprietária do imóvel, também não terá orçamento para avançar com grandes obras», conclui.

Da parte da Câmara de Gouveia, o vice-presidente e vereador com o pelouro das obras públicas, Luís Tadeu, diz que «quando a autarquia mudou de presidente, em 2002, o negócio já estava feito e sinalizado, pelo que tivemos de concluir o pagamento, sob pena de perdermos o montante que já tinha sido adiantado».

«No total, esta aquisição custou cerca de 300 mil euros à Câmara, e desde que herdámos o negócio, tentámos rentabilizá-lo», revela. O vereador adianta que «na altura, havia indicações que apontavam no sentido de o Inatur ali querer instalar uma pousada, ficando outra parte destinada a um centro de estudos vergilianos associado à UBI».«No entanto, viemos a verificar que, infelizmente, nada disto correspondia à verdade», afirma.

Posto isto, a autarquia «tomou a iniciativa de fazer um estudo para um possível aproveitamento hoteleiro da infraestrutura, que aliasse a vertente turística à história e ao património, salvaguardando a memória de Vergílio Ferreira», refere, acrescentando que esse estudo foi posteriormente apresentado a potenciais investidores privados, uma vez que a autarquia «não dispõe de verbas nem de know-how na área do turismo para avançar sozinha». «Seria um projeto interessante para o concelho e para Melo, pois reabilitaria uma parte importante do seu património e criaria ao mesmo tempo riqueza e postos de trabalho na freguesia», considera, mas «até agora, não fomos capazes de encontrar interessados». «Há uma grande retração no mercado, e consequentemente é difícil encontrar quem tenha vontade de investir», diz o vice-presidente, assegurando que o município, enquanto detentor do edifício, continuará a fazer «as intervenções possíveis», como reparação de muros e limpeza e corte de mato, para evitar um «total abandono». Quanto ao futuro, Luís Tadeu diz que a autarquia «continua à procura de investidores», mas que perante a conjuntura económica, «resta-nos esperar por melhores dias».

Até que esses dias cheguem, o tempo não dará certamente tréguas ao Paço de Melo, que parece assim condenado a “morrer aos poucos”.


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Comentários dos nossos leitores
Lourdes Costamanuellourdescosta@hotmail.ca
Comentário:
Quanto ao Paço de Melo, todos prometem e nada fazem, viram-se mais para as coisas que mais interesse lhes dão. Para quê salvaguardar a memória de Vergílio Ferreira, que não deixou nada a Melo? Até os seus livros deixou a Gouveia. Concordo que preservem o Paço, mas há outras coisas mais importantes que Melo precisa. Hoje, não há um parque infantil, pois até resolveram tirar os baloiços. Não há onde uma criança possa brincar e deve-se pensar é nas crianças de hoje, que são o futuro de amanhã.
 
antonio vasco saraiva da silvavascosil@live.com.pt
Comentário:
Lurdes costa, as aldeias estão sem ninguém e nem mesmo o facto de não termos trabalho nas grandes cidades, o futuro passa pelo o presente de hoje. Quem pode imigra, seguindo o conselho do nosso Primeiro. Crianças, essas não aparecem, pois temos um país que até paga para se abortar. As aldeias deixaram de ter vida, os novos imigram, os velhos dizem que morrem por causa do frio, o que eu não acredito, mas sim por falta de dinheiro para medicamentos e comida. As aldeias estão condenadas à desertificação total, pois temos uma população envelhecida e com políticos sem ideias viradas para o futuro e doentes nos seus valores. Estamos a ser assaltados naquilo que de melhor Portugal sempre teve, e o povo nada faz com a desculpa da crise. Mas não vêm que a crise está na falta de ideias e sobretudo de acção, nos movimentos, por isso um país que não aposta na cultura será sempre um país de terceiro mundo. Essa casa é exemplo disso, é o reflexo da incapacidade do poder autárquico ter ideias e de uma mesquinhez de sentimento intelectual, agravado com a preguiça de quem já tem a barriga cheia.
 
anonio vaso saraiva da silvavasil@live.com.pt
Comentário:
A união faz a força. Se as pessoas de Gouveia fossem unidas, aquilo que à primeira vista parece impossível seria possível se todos juntos dessem um pouco do seu tempo e levassem a cabo a restauração dessa obra. Existem várias empresas de construção que podiam ceder materiais, há também empresas de mobiliário que podiam ajudar e muitos trabalhadores podiam fazer horas nessa obra para ajudar a levantar uma casa de interese público. Mas porque não criar nessa casa algo ligado a eventos de cultura, com o nome desse grande escritor. Acho que o povo tem mesmo de se juntar e só com este plano terá capacidade, não podemos continuar à espera de dinheiros vindos não se sabe de onde. Esta casa é do povo, o povo que olhe por ela.
 
M.F. de albuquerque de Magalhaes QueirozMarusca@live.nl
Comentário:
O meu avô nasceu aí. Seu nome era João António d'Abeu Albuquerque. Possuo diário com mais dados. Por favor, entrem em contacto comigo. Tenho muito que contar. Ainda existo eu com 61 anos de idade. Vivo debaixo de discriminação neste país de racistas e assassinos sem armas...
 

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