Arquivo: Edição de 24-05-2012
Secção: Região
Câmara de Gouveia tem projeto para um aproveitamento hoteleiro, mas não consegue encontrar investidores| Por: Fábio Gomes | |
| O Paço de Melo encerra mais de seis séculos de história |
O Paço de Melo manteve-se em mãos privadas até há cerca de 10 anos, quando a Câmara de Gouveia decidiu adquirir o edifício. Mas daí para cá, nada mudou, e esta parte importante do património edificado da freguesia continua a degradar-se. O presidente da Junta de Melo revela que «há alguns anos, falou-se na possibilidade de criar ali um pólo da Universidade da Beira Interior ligado ao estudo da obra de Vergílio Ferreira, e nesse âmbito até recebemos a visita do então ministro da cultura, Pedro Roseta». No entanto, «tudo acabou por ficar em águas de bacalhau», sendo que atualmente «o edifício está devoluto, e sem perspetivas para que a situação se altere». Sérgio Ferreira afirma que «é mau para a freguesia ter aquele que é, porventura, o seu principal monumento em ruínas», e enaltece «a importância de se preservar o património», mas reconhece as dificuldades em reabilitar o edifício. «A Junta de Freguesia, só por si, é impotente para fazer seja o que for, e a Câmara, que é a proprietária do imóvel, também não terá orçamento para avançar com grandes obras», conclui.
Da parte da Câmara de Gouveia, o vice-presidente e vereador com o pelouro das obras públicas, Luís Tadeu, diz que «quando a autarquia mudou de presidente, em 2002, o negócio já estava feito e sinalizado, pelo que tivemos de concluir o pagamento, sob pena de perdermos o montante que já tinha sido adiantado».
«No total, esta aquisição custou cerca de 300 mil euros à Câmara, e desde que herdámos o negócio, tentámos rentabilizá-lo», revela. O vereador adianta que «na altura, havia indicações que apontavam no sentido de o Inatur ali querer instalar uma pousada, ficando outra parte destinada a um centro de estudos vergilianos associado à UBI».«No entanto, viemos a verificar que, infelizmente, nada disto correspondia à verdade», afirma.
Posto isto, a autarquia «tomou a iniciativa de fazer um estudo para um possível aproveitamento hoteleiro da infraestrutura, que aliasse a vertente turística à história e ao património, salvaguardando a memória de Vergílio Ferreira», refere, acrescentando que esse estudo foi posteriormente apresentado a potenciais investidores privados, uma vez que a autarquia «não dispõe de verbas nem de know-how na área do turismo para avançar sozinha». «Seria um projeto interessante para o concelho e para Melo, pois reabilitaria uma parte importante do seu património e criaria ao mesmo tempo riqueza e postos de trabalho na freguesia», considera, mas «até agora, não fomos capazes de encontrar interessados». «Há uma grande retração no mercado, e consequentemente é difícil encontrar quem tenha vontade de investir», diz o vice-presidente, assegurando que o município, enquanto detentor do edifício, continuará a fazer «as intervenções possíveis», como reparação de muros e limpeza e corte de mato, para evitar um «total abandono». Quanto ao futuro, Luís Tadeu diz que a autarquia «continua à procura de investidores», mas que perante a conjuntura económica, «resta-nos esperar por melhores dias».
Até que esses dias cheguem, o tempo não dará certamente tréguas ao Paço de Melo, que parece assim condenado a “morrer aos poucos”.
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