Arquivo: Edição de 17-05-2012
Secção: Sociedade
Única lista concorrente desistiu no passado dia 7 devido a divergências sobre estatutos com a mesa administrativa demissionáriaO Bispo da Guarda tem mais um problema para resolver, desta vez na Misericórdia de Belmonte, cuja última assembleia eleitoral, realizada no passado dia 7, não encontrou saída para a crise diretiva da instituição.
A mesa administrativa, dirigida por João Gaspar, demitiu-se em fevereiro depois da Segurança Social ter participado ao Ministério Público alegadas irregularidades detetadas na gestão por uma fiscalização. Na altura foram convocadas eleições, mas a única lista concorrente acabou por sair de cena no dia 7 devido a divergências sobre os estatutos com a mesa administrativa demissionária. Perante esta situação, o provedor já disse que a resolução do impasse está «nas mãos do Bispo da Guarda», pois terá que ser D. Manuel Felício a nomear a comissão administrativa que vai gerir a Misericórdia até ser eleita uma nova direção. Até lá, João Gaspar, provedor há 38 anos, sublinha estar tranquilo relativamente à investigação do Ministério Público, recordando que «tudo o que tem hoje a Misericórdia fui eu que construi, pois quando lá cheguei não havia nenhuma atividade institucional», declarou. Atualmente, a instituição gere um lar de idosos, uma creche e um infantário, empregando cerca de 130 pessoas.
A crise da Misericórdia de Belmonte “rebentou” em 2010, quando o relatório de uma auditoria solicitada pela autarquia local concluiu pela «falência técnica» da instituição e pela incompatibilidade de cargos do provedor numa empresa participada pela Santa Casa – que este negou. Segundo o documento, a Misericórdia já estava «inibida de passar cheques», alguns dos seus bens já tinham sido apreendidos e havia casos de «salários em atraso». Registava ainda dívidas às Finanças e à Segurança Social e um endividamento bancário «insustentável» de 1,6 milhões de euros.

