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Edição de 16-05-2013
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Secção: Cara a Cara

Cara a Cara - Joana Brioso
«É um orgulho levar o nome da UBI e da minha terra natal aonde quer que vá»
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Joana Brioso
Joana Brioso
P – Como surgiu a possibilidade de ganhar uma bolsa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento para o concurso para Estágios Harvard Medical School 2012?

R – Este concurso já vai na terceira edição e foi lançado pelo programa Harvard Medical School – Portugal, em colaboração com a Fundação Luso-Americana e a ANEM - Associação Nacional de Estudantes de Medicina. É dirigido a estudantes de medicina interessados em investigação, sendo o prémio uma bolsa para realizar um trabalho científico na Universidade de Harvard com as despesas pagas. Como já tenho alguma experiência em investigação científica e tenho muito gosto nessa atividade não podia deixar passar uma oportunidade destas. Decidi concorrer, enviando o meu currículo, os meus trabalhos científicos realizados até à data e uma carta de motivação e outra de recomendação. A seguir, chamaram 10 estudantes a uma entrevista em Lisboa com os diretores do programa e tive a felicidade de ser escolhida.

P – Foi a eleita entre alunos das oito escolas médicas portuguesas. Acha que esta escolha também é importante para provar que o ensino ministrado na UBI é de qualidade?

R – Sem dúvida. A UBI pode ser uma faculdade “recente” quando comparada com outras universidades clássicas, mas, a meu ver, isso traz muitas vantagens, já que significa que tem melhores instalações, é mais moderna, tem métodos de ensino mais atuais que desenvolvem competências mais adequadas aos tempos de hoje do que o método de aulas teóricas. Tenho muito a agradecer à minha universidade, que sempre me apoiou e me tem permitido fazer investigação no Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS), o que contribuiu fortemente para ter recebido esta bolsa. Para mim, é um orgulho levar o nome da Universidade da Beira Interior e da minha terra natal, o Fundão, aonde quer que vá. Esta escolha demonstra também que a universidade deve apostar mais nos seus alunos e dar-lhes a oportunidade de fazerem trabalho prático enquanto estão no curso, pois acaba por dar os seus frutos.

P – Esta é uma boa oportunidade para aprofundar o seu trabalho de investigação que vem desenvolvendo. Em que consiste?

R – Em 2010 trabalhei no Cancer Center Amsterdam, na Holanda, onde investiguei métodos de rastreio para o cancro do cólon através do ADN. Aí adquiri uma grande curiosidade pela Genética, que pude voltar a pôr em prática a partir de outubro de 2011, quando tive um estágio de Endocrinologia que adorei e pedi para fazer investigação na equipa do professor Manuel Lemos. O trabalho que estou a fazer é sobre o síndrome de resistência às hormonais tiroideias, uma doença hereditária em que os tecidos têm uma resposta baixa à ação das hormonas que a tiroide produz. A partir do DAN de pessoas de que se suspeita ter esse síndrome, procuro mutações no gene do recetor das hormonas tiroideias que expliquem essa resistência.

P – Já realizou estágios em vários países europeus. O que espera desta experiência nos Estados Unidos?

R – A primeira experiência académica que tive foi nos Estados Unidos em 2008, em Philadelphia. Agora, depois de já ter passado por alguns países, posso dizer que os EUA oferecem o ambiente académico mais estimulante que já conheci. Os professores são extremamente exigentes, mas porque querem que exploremos o nosso potencial ao máximo e acabam por se tornar bons amigos dos seus alunos. Estou muito feliz por regressar, por ir trabalhar na minha área e porque o que vou aprender vai ser muito útil no projeto que estou a desenvolver e quando começar a trabalhar. Além disso, Harvard é uma das melhores universidades do mundo e oferece aulas sobre todos os temas, cursos práticos, aulas de remo no rio, tudo em edifícios centenários e tradicionais de tijolo vermelho como costumamos ver nos filmes. Espero poder aproveitar tudo o que oferece e regressar a Portugal mais rica não só em genética, mas em artes e cultura geral. Só receio conseguir sobreviver novamente com comida tão terrível.

P – Pretende optar por uma carreira na investigação ou a exercer medicina?

R - Espero mesmo conseguir conciliar as duas. Adoro a vida clínica, trabalhar num hospital e ser útil aos pacientes naquele momento. Não tenho dúvidas de que irei exercer medicina. No entanto, a investigação chama-me muito e gosto de saber como as coisas funcionam, de fazer descobertas, por isso as ciências exatas também terão de estar na minha vida. O meu ideal seria trabalhar num hospital universitário e, ao fim do dia, ir até à faculdade continuar investigação sobre a minha especialidade.

P – Tem alguma especialidade de eleição?

R – Ainda só estou no quarto ano e sinto que preciso de passar por todas as especialidades durante o curso para ver onde me sinto mais realizada. Mas, entre as especialidades que tive até ao momento, escolheria Cardiologia ou Endocrinologia.


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