Arquivo: Edição de 25-04-2012
Secção: Política
Candidato à presidência dos órgãos distritais socialistas deixou para os seus apoiantes as críticas às liderança de José Albano Marques e prometeu trabalhar em equipa| Por: Luis Martins | |
| Fonseca Ferreira quer consenso com outros partidos sobre projetos «estruturantes para a Guarda» |
Abílio Curto, Fernando Cabral, Pires Veiga, Rita Miguel, Nuno Almeida, Virgílio Bento, Gonçalo Amaral, Pedro Guerra, José Luís Vaz, Orlindo Vicente, Carlos Martins e Cláudio Rebelo foram alguns dos apoiantes em destaque. Nesta sua primeira aparição, o candidato escusou-se a entrar «em quezílias» com o adversário de 15 de junho e sublinhou que a Federação «não é uninominal, mas a conjugação das 14 concelhias». As críticas aos atuais órgãos distritais couberam a Amaral Veiga, segundo o qual a Federação presidida por José Albano Marques, que se recandidata a um terceiro mandato, está «no marasmo» e com «uma liderança vazia de ideias». Também Pedro Rebelo, líder da JS e mandatário de Fonseca Ferreira para a juventude, considerou que «o PS da Guarda precisa de uma nova energia», dizendo que falta debate interno e «poder aos militantes de base».
Já Maria do Carmo Borges, que será mandatária da candidatura, acrescentou que «o debate interno tem faltado», admitindo mesmo que o PS de José Albano tem estado «dissociado da sociedade guardense». A ex-governadora civil e presidente de Câmara entende, por isso, que com Fonseca Ferreira «vai ser diferente e será possível ouvir todos nesta casa». Nesta apresentação, o candidato falou de alguns dos seus objetivos e disse ao que vinha: «Quero retomar a política dos valores humanistas, solidários, republicanos e socialistas», declarou, assumindo pretender «fortalecer o PS e a sua intervenção e influência no distrito». Um dos seus principais projetos é traçar uma estratégia de desenvolvimento para a região: «Quero por a minha experiência profissional [é um reputado especialista em planeamento urbano e ordenamento do território] ao serviço desta terra, a minha terra», afirmou, recordando que estudou sete anos no antigo Liceu Nacional da Guarda.
Outro desafio de Fonseca Ferreira é gerar «um consenso alargado» com todos os partidos sobre «os projetos estruturantes para a Guarda, de forma a que a sua defesa seja assumida em conjunto perante o Governo», adiantou, dando especial ênfase ao PSD do «conterrâneo» Júlio Sarmento, que mereceu uma saudação especial. E já tem um em carteira: a conclusão da ampliação e requalificação do Hospital Sousa Martins. O apelo foi lançado por Maria do Carmo Borges: «Não posso crer que obra esteja parada e que não terminem a primeira fase. Tem que ser uma realidade porque é muito importante para o distrito», acentuou, elogiando «o trabalho» de Fernando Girão na ULS. Registada a preocupação, o candidato assumiu também que vai cooperar com as autarquias, um trabalho que constituirá uma das suas prioridades.
«Daremos todo o apoio, em articulação com as concelhias, aos nossos autarcas das freguesias, das assembleias e dos executivos municipais», disse. A este propósito, Fonseca Ferreira afirmou estar contra a extinção de freguesias, augurando «um desastre» no mundo rural se a reforma do poder local do atual Governo se concretizar. Questionado por O INTERIOR, considerou que José Albano Marques deu «o seu melhor, fez o que pôde e sabe para melhorar a Federação. Mas também acho que esta precisa ser mais participada e mais aberta», declarou, acrescentando que «todos os partidos precisam de se revitalizar, nomeadamente na sua relação com a sociedade».

