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Edição de 21-09-2017
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Secção: Sociedade

Diocese da Guarda tem dois novos padres, ambos com 30 anos: Luís Freire poderia ter feito carreira como professor e Luís Nobre foi camionista
«Ser padre ou tirar um curso, casar e ter filhos?»
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Foram muitas as pessoas que no domingo quiseram felicitar Luís Nobre
Foram muitas as pessoas que no domingo quiseram felicitar Luís Nobre
Luís Freire tinha 15 anos quando pensou pela primeira vez em ser padre, mas só descobriu que a sua vocação era mesmo essa quando já estava no segundo ano do curso de Língua e Cultura Portuguesa, na Universidade da Beira Interior (UBI). Optou por terminar a licenciatura, ainda chegou a dar aulas e aos 25 anos acabou por abdicar de tudo para se entregar ao “chamamento”. Luís Freire confessa que passou a adolescência a adiar este seu projecto pessoal, até porque ser padre não está propriamente na “moda”: «O assunto é tabu, principalmente quando se é jovem», constata.

O “click” para repensar o seu futuro deu-se quando se apercebeu, naquele segundo ano de faculdade, que uma das suas colegas de turma era freira. «Deus colocou-a no meu caminho», afirma o jovem padre, de 30 anos, natural de Cantar Galo (Covilhã), ao explicar que a sua presença, bem como as conversas que os dois tiveram, foi para si «um novo despertar vocacional». Para Luís Freire – ordenado padre no fim do mês passado, na Sé da Guarda, juntamente com Luís Nobre, de Vilar Formoso –, só há uma forma de explicar o que leva os homens a seguirem o sacerdócio: «A opção não é nossa, é de Deus». Na Diocese da Guarda, são raros os anos em que são ordenados mais de dois padres.

Na adolescência e também nos primeiros tempos de faculdade, altura em que deixou de dar catequese e só já ia à missa, Luís Freire diz que se deparou com «hesitações» e «receios». «A questão que se colocava era: devo ser padre ou tirar um bom curso, casar e ter filhos como a maioria das pessoas?», revela Luís Freire, ao referir que naquele segundo ano as dúvidas começaram a dissipar-se. Seria padre. «Se tive algum desgosto amoroso? Não», apressa-se a responder. O sacerdote ainda chegou a leccionar em centros de formação profissional, nos seus dois primeiros anos de seminarista, com o consentimento do Bispo da Guarda. Porém, rapidamente percebeu que não era fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo: «Cada vez me entregava mais a Jesus Cristo», lembra. Daí que não hesite em afirmar que não será «um frustrado» por não poder seguir a carreira de professor, até porque vai «continuar a ensinar» - a Palavra de Deus. O novo padre, que deverá ter paróquia atribuída dentro de meses e por enquanto acompanha um pároco nos concelhos de Seia e Gouveia, prepara-se agora para celebrar a sua primeira missa. É no domingo na paróquia onde foi baptizado, em Vila do Carvalho.

Luís Freire decidiu ser padre quando já andava na universidade
Luís Freire decidiu ser padre quando já andava na universidade
Em Vilar Formoso, os paroquianos já puderam assistir à primeira missa de Luís Nobre. Foi no último domingo, no pavilhão multiusos, que esteve cheio. Há uns 12 anos que um jovem da terra não era ordenado padre. Por motivos de agenda do sacerdote, O INTERIOR não conseguiu em tempo útil ouvi-lo contar a sua história. Mas quem aqui mora conheçe-a bem. É o caso de Maria Elvira Andrade, que assegura que «foi com muito sacrifício que conseguiu chegar até aqui». «Fez o 12º ano e entrou para o seminário, mas quando já estava no terceiro ano saiu e foi para a empresa de transportes onde também trabalha o pai, para ser camionista», relata Maria Elvira Andrade, que diz que o fez «devido a problemas financeiros, para poder continuar a estudar no seminário». Foram três anos a trabalhar como camionista. «Além disso, «a família não gostava da ideia dele ser padre, principalmente o pai», afiança, para depois lamentar que «tenha perdido a mãe aos três anos». Em Vilar Formoso, são várias as pessoas que relatam a mesma história. «Se não tivesse parado uns anos para trabalhar não teria conseguido seguir a sua vocação», diz Alberto Andrade, que «não podia perder» a sua primeira missa. «E ao que parece a empresa onde ele esteve até não queria que ele saísse», diz outra residente em Vilar Formoso, Ana Fonseca, ao acrescentar que «foi sempre um bom rapaz».


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