Última Hora | RSS RSS | Arquivo | Ficha Técnica | Classificados | Inquéritos | Fórum | Futebol | Tempo | Farmácias | Publicidade | Newsletter | Pesquisa Avançada | Contactos | Área de Assinantes
Edição de 16-05-2013
Pesquisa:

Arquivo: Edição de 05-11-2009

Secção: Opinião

Crítica Construtiva
“E tudo o vento levou…”
Tempo de leitura: 3 m
Bookmark and Share
Aumentar Tipo de LetraDiminuir Tipo de Letra

Finalmente encerrou-se o ciclo eleitoral e tudo ficou igual. A conclusão é a de que gostamos de nós próprios, gostamos de quem nos governa, gostamos das políticas dos nossos governantes. E por isso merecemos continuar com uma política económica da qual tem resultado mais e mais pobreza onde a corrupção e a burla dominam e onde, como refere Hernani Lopes, “vale tudo para enriquecer depressa”.

Merecemos uma política educativa que despreza e ignora os seus educadores; merecemos uma política social que alimenta a pobreza em vez de a eliminar ou pelo menos reduzir; merecemos uma política de justiça que se ajoelha perante o poder político e económico, incapaz de condenar os poderosos, mas que esmaga e aniquila os indefesos; merecemos uma política de saúde que importa médicos e exporta doentes; merecemos uma política agrícola que se limita a ver a falência da nossa já inexistente agricultura; merecemos não ter florestas porque não somos capazes de as preservar e muito menos de as reproduzir; merecemos uma comunicação social muitas vezes submissa, outras vezes manipuladora e raramente isenta.

Cá pelo burgo já tudo foi dito: ao contrário do PS que foi capaz de, por algumas semanas, esquecer os problemas internos e unir-se em torno do seu candidato, o PSD não foi a jogo e por isso foi “goleado”. De facto, ficou claro que a população do concelho da Guarda não se entusiasmou com o projecto liderado pelo Engº Crespo de Carvalho (CC). Ficou também claro que os militantes do PSD-Guarda não gostam de CC como não gostam que os cidadãos independentes se misturem com eles. Ficou ainda claro que o PSD não é alternativa: um partido onde grande parte dos seus militantes mais influentes se preocupa apenas em lutar pelo poder, que não se coíbe de apoiar o adversário quando as suas vontades individuais não são satisfeitas, não merece mais. Com militantes que passaram a campanha a criticar o candidato que o partido indicara e a elogiar os adversários (talvez à espreita das migalhas que o poder sempre espalha), com militantes que não esconderam o seu regozijo pelo resultado eleitoral, o PSD bem se pode preparar para continuar a ver o comboio passar.

Pessoalmente, odeio a política feita do insulto ou da violência; odeio a hipocrisia e o faz de conta. Não aceito que as opções políticas belisquem os relacionamentos pessoais. Crespo de Carvalho foi derrotado como o foi a equipe que o apoiou e mais derrotado ainda foi o PSD. O projecto liderado por CC esfumou-se com a recusa do candidato em assumir integrar a oposição. Não havendo um projecto alternativo, a “oposição” ao executivo PS só pode ser feita pelos projectos políticos próprios de cada partido. Como independente (face aos partidos) que sempre fui, sou e continuarei a ser, não me revejo a fazer parte de qualquer projecto político-partidário. Como consequência, e depois de alguma reflexão e muito desencanto, optei por não tomar posse como membro da Assembleia Municipal da Guarda para a qual fui eleito, deixando também ao PSD a possibilidade de reforçar o seu peso naquele órgão.

A opção vai pois para concentrar as energias na minha vida familiar e profissional, recusando qualquer protagonismo público que nunca desejei.

Termina também hoje a minha colaboração com este jornal. Não que algo me mova contra o mesmo, apenas e só porque decidi usar o meu direito ao silêncio e de me abster de qualquer participação na vida pública, para além daquela que possa decorrer da minha actividade profissional. Fica o meu agradecimento ao Luís Batista-Martins. Ao “O Interior”, desejo todo o sucesso que merece.

Por: Constantino Rei


Votar:
Resultado:
16 Votos
Imprimir Artigo
Enviar por Email
Comentário Privado
Comentário Publico
Adicionar Favoritos

Comentários dos nossos leitores
Alfa Martinsalex.kawa@gmail.com
Comentário:
Excelente! Como "independente" sinónimo do "nem lá vou nem faço caso" esta é, nitidamente, a (tomada) de posição mais cómoda! Os militantes que se "desenrasquem" pois eu sempre fui "independente" e nem faço parte disso! Como dizia o cimento, aqui há uns anos em caso que deu brado aqui na Guarda, "quem, eu? Eu nem lá estava!" Senhor doutourado Constanstino Rei, agora os outros que resolvam o problema que fica! Pois , para mim, os principais obreiros no fosso em que caiu o PSD na Guarda foram os ditos "independentes" e quem os promoveu e promocionou. Tenho dito, como militante social-democrata!
 

Diga o que pensa sobre este artigo. O seu comentário será publicado online após aprovação da redacção.

Comentários Nome
Email
Código de VerificaçãoInsira os algarismos da figura
Anónimo
Rádio Altitude
© 2009 O Interior | Rua da Corredoura, 80 - R/C Direito C - 6300 Guarda | Telefone geral: 271 212 153 - Publicidade: 271 227 349 - fax: 271 223 222
Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.