Arquivo: Edição de 29-10-2009
Secção: Cultura
”Pare, Escute e Olhe” do antigo aluno da Escola Superior de Educação da Guarda arrecadou os três principais prémios em Seia| Por: Ricardo Cordeiro | |
| O vencedor ladeado por Lauro António (ao centro) e Luís Silva que recebeu uma menção honrosa |
O documentário do antigo aluno da Escola Superior de Educação da Guarda esteve em grande destaque ao vencer os três principais prémios do certame, o Grande Prémio do Ambiente, atribuído pelo Júri Internacional, o Grande Prémio da Lusofonia e o Prémio Especial da Juventude. O retrato de Trás-os-Montes, uma região esquecida, a defesa de um património único e da centenária Linha do Tua, que fazem parte da identidade transmontana, fez com que o júri deliberasse por unanimidade, salientando «a consciencialização social e política, a questão da macrocefalia e a magnificência do nível técnico». O jovem realizador que é repórter de imagem da SIC salientou que mais importante que os prémios, a missão do filme visa salvar a linha do Tua: «O documentário, por si só, não vai conseguir. Acho que têm que ser todos juntos a lutar para que isso não aconteça, todos temos que reflectir, e quando digo todos, são também aqueles que decidiram fazer aquela barragem e vão fazer submergir aquele património que é a linha do Tua e o vale», salientou. Concluído neste ano, depois de dois anos e meio a trabalhar no terreno, “Pare, escute, olhe” é uma reflexão sobre o despovoamento e a desertificação provocados pelo encerramento progressivo da linha ferroviária do Tua, que liga Bragança a Mirandela. No mesmo dia, o filme de Jorge Pelicano venceu ainda a Competição Portuguesa do Doc Lisboa - Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa, recebendo os prémios Melhor Longa-Metragem e Melhor Montagem, e ainda o Prémio Escolas.
Outra realizadora nacional premiada em Seia foi Rita Saldanha que ganhou o Prémio “Polis” com o filme “Em nome da Terra”. Nas restantes categorias, “Morrer na Abundância” do grego Yougos Avgeropoulos venceu o Prémio Educação Ambiental, “Um Rio Invisível” da brasileira Renata Druck o Prémio “Água”, enquanto que “Viver com Vergonha” de Huaqing Jin (China) arrebatou o Prémio Valorização de Resíduos. Por seu turno, o Prémio “Vida Natural” foi entregue a Otávio Juliano (Brasil) com “A Árvore da Música”, o de Antropologia Ambiental a Toshifumi Matsushita (Bolívia, Japão) com a “A Dádiva da Pachamama” e o Prémio Camacho Costa a Sersar Yacine com “Não é Grave”. Já a categoria de Vídeo Não Profissional foi ganha por Geert Droppers (Holanda) com “Dá-me um abraço”. O Júri Internacional atribuiu ainda prémios especiais a “Arrakis”, de Andrea Di Nardo (Itália), “Nadar Livremente”, de Jennifer Galvin (EUA), e “O Espírito do porco”, de Chico Faganello e Dauro Veras (Brasil). O Júri da Juventude atribuiu também o prémio para o melhor filme de animação, que foi para “Peripheria”, de Barelli Barcel (Suíça). Luís Silva, realizador de Seia, recebeu uma menção honrosa do Júri da Lusofonia pelo documentário “Os Últimos Moínhos”.
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