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Edição de 23-05-2013
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Arquivo: Edição de 13-08-2009

Secção: Cultura

Achado arqueológico com cerca de cinco mil anos tinha sido descoberto há sete por um casal daquela freguesia do concelho de Almeida
Pinturas rupestres apagadas em Malhada Sorda
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Um dos painéis de granito com pinturas rupestres, com cerca de cinco mil anos, encontrado há sete anos na área da freguesia de Malhada Sorda, concelho de Almeida, foi destruído. O Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) lamenta o sucedido, considerando que existiu a «clara intenção» de fazer desaparecer aquele achado.

A figura pré-histórica «foi completamente destruída, tendo sido lavada e repicada com a clara intenção de a fazer desaparecer, o que de facto foi conseguido», lamentou António Martinho Baptista, arqueólogo e pré-historiador de arte do PAVC, considerando que se trata de um «crime de lesa-arqueologia». «Apagaram mais de cinco mil anos de História», sublinhou em declarações à agência Lusa. Segundo o arqueólogo, o sítio onde se encontra o achado era constituído por dois painéis verticais em granito, «ambos decorados com pinturas pós-glaciares em tons de vermelho». «A figura mais interessante do conjunto era uma figura zoomórfica em estilo seminaturalista, a fazer lembrar algumas das representações do Côa e até do Tejo», acrescentou o especialista.

Martinho Baptista explica que na figura destruída era visível «uma pequena cabeça perfilada em V, o pescoço fino e o corpo ovalado» de um animal, características que remetem «para a forma tipológica de um cervídeo fêmea». O antigo director do extinto Centro Nacional de Arte Rupestre relatou também que o achado estava em «duas pequenas rochas» que constituíam uma espécie de «abrigo» e foi encontrado por um casal residente em Malhada Sorda. O presidente da Câmara de Almeida, António Baptista Ribeiro, disse ter tido conhecimento do sucedido através do referido casal autor da descoberta e que «de imediato» comunicou o caso ao PAVC. «Da parte da autarquia nada mais havia a fazer, a não ser denunciar a situação às autoridades competentes, neste caso o PAVC», referiu, condenando o «acto criminoso que significa uma perda irreparável» para o património histórico concelhio.


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