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Edição de 16-10-2014
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Secção: Região

Apesar da sua importância, o castro e o templo romano não têm sido valorizados turisticamente
Um tesouro esquecido em Orjais
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Apesar de discreta e simples, a freguesia de Orjais, a 14 quilómetros da sede do concelho (Covilhã), comporta em si um verdadeiro tesouro histórico, mas nem todos se apercebem da sua importância. As ruínas romanas, que as escassas placas sinaléticas no centro da freguesia anunciam, passam despercebidas. Só mesmo os mais persistentes conseguem encontrar o templo romano e o castro de Orjais, depois de galgarem o difícil caminho de terra batida em plena Serra da Estrela. Não há divulgação, nem valorização do local.

Exemplo disso é o castro, que se encontra completamente ao abandono e à mercê do mato. Localizado a 680 metros de altitude, com vista para o vale do Zêzere, é constituído por um recinto fortificado de traçado ovalado irregular, mas das suas muralhas apenas subsistem alguns muros. Grande parte do conjunto foi destruído com a abertura de um caminho municipal na década de 80. Segundo os vários registos arqueológicos, terá sido fundado no século VIII a.C., devido à presença de cerâmica de influência céltica. Só mais tarde é que a povoação terá sido romanizada. Possui uma característica pouco vulgar, que é a de se encontrar na sua base um templo romano em plena serra. Actualmente denominado de Capela de Nossa Senhora das Cabeças, terá sido construído no século I a.C., aquando da romanização do castro vizinho. Foi classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) no início da década de 80, mas só em 2001 foi alvo de uma primeira intervenção arqueológica.

Apesar de serem apontados pelos especialistas como tendo características únicas no país, o certo é que o conjunto «não está valorizado turisticamente», como desejaria o presidente da Junta de Freguesia. «Ninguém quer saber», diz António Canário, lamentando profundamente ver aquele achado «completamente ao abandono». O autarca de Orjais, localidade com pouco mais de 800 habitantes, é o primeiro a contestar o estado de degradação daquele património, acusando o IPPAR de «não ter consideração por um monumento nacional». E não tem dúvidas de que o castro e as ruínas romanas poderão ser um «importante pólo de desenvolvimento turístico da região», mas para isso é necessário que o IPPAR «contribua para a limpeza da mata e que continue com as escavações», reclama. Isto porque acredita que «há muito mais» do que o que está actualmente à vista.

Contudo, enquanto lamenta a situação em que se encontra aquele património, José Afonso, director da direcção regional do IPPAR de Castelo Branco, rejeita as críticas, pois o imóvel «não está afecto ao IPPAR», mas a privados, entre os quais a Fábrica da Igreja de Orjais. «Só poderemos intervir se se verificar que estão a ocorrer atentados ao património», salienta. No entanto, o arquitecto não nega estar preocupado com o abandono daquele património, visto ser um achado «importante» para a história da presença romana na região. «Supunha-se inicialmente que ali existiu uma grande cidade romana, mas no seguimento de algumas pesquisas vimos que se tratava de um núcleo composto por várias quintas», revela. Por isso, concorda com a necessidade de se efectuarem «mais escavações e prospecções» junto ao templo, assim que «houver meios para isso». Obras que, por enquanto, não são prioritárias. «Por mais que me custe, as poucas verbas que temos são para canalizar para obras afectas ao IPPAR», refere.

Liliana Correia


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